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Prisão: é a opressão na sua máxima expressão.

Prisão: técnica inquisitorial, jaula cruel e sábia na arte de punir, de castigar (dentro do castigo normal através do arsenal horroroso de castigos em húmidas e geladas celas disciplinares, regime 111º e outros), de infligir suplício, de fazer sofrer.

"O castigo é mais um espelho da prepotência para o poder que o PODER se permite sobre os seres humanos: abusa-se para se mostrar que se possui", diz Bárbara Pimenta no seu livro Prisão de Mulheres.

Prisão: suplício infamante, aviltante, execrável.

Prisão: é a violação permanente e sistemática da vontade do indivíduo, é ser registado, anotado, descrito, biografado, mensurado, comparado, avaliado, medido, observado, catalogado, contado, vigiado, espiado, dirigido, manipulado, normalizado, admoestado, exortado, intimidado, chantageado, provocado, perseguido.

Prisão: local onde o direito inalienável à indignação é oprimido selvaticamente com torturas, quando não o podem amordaçar através da lobotomia química: fortes doses de psicotrópicos três vezes ao dia (pela manhã, ao meio-dia e à noite), doses de lagartil que até deixam o indivíduo durante tempos a caminhar de rastos e, ainda, com chantagens à violação do direito às designadas medidas de flexibilidade da pena, incluindo ameaças várias, inclusive do género: "…ainda vais transferido para outra prisão longe dos teus familiares!…" ou "…ainda apareces enforcado!… vê lá a tua vida!…".

Prisão: o poder sobre os corpos - os gestos cronometrados e comandados -, os olhares, os comportamentos, os movimentos, os trajectos; é o controlo dos horários impostos e as actividades subsequentes.

A prisão infantiliza, faz regredir, é o anulamento do ser; é a perda da capacidade de pensar, reflectir, decidir minimamente sobre a própria vida. "Na realidade a entrada na instituição prisional significa uma servidão completa do corpo, da vida, do tempo, da manifestação dos sentidos e até do pensamento – que quase deixa de ser livre – de quem lá entra", escreve Bárbara Pimenta na referida obra.

Prisão: local onde os detentos estão expostos à arbitrariedade dos esbirros; onde reina o nepotismo, o favoritismo pessoal, as gritantes descriminações; onde a solidariedade é criminalizada; onde se vive a desconfiança permanente, a competição na delação mútua, a violência entre presos (e sobre presos da parte dos esbirros), tudo fomentado pelo sistema com o objectivo de que a indignação contida não se oriente contra o sistema e passe a questionar o mesmo.

Prisão: factor crimogénico, escola do crime, fábrica de delinquência, geradora da proliferação de comportamentos delitivos e patológicos e, ainda, da disfuncionalidade familiar, causando dor e destruição em milhares de famílias.

Prisão: é o sofrimento sistemático e premeditado intento de aniquilamento do físico, da psique, da personalidade e identidade do indivíduo sob a fraude do discurso reabilitador e ressocializador.

Prisão: é a pulsão da morte, a arte de reter a vida no constante intenso sofrimento, subdividindo-a em mil mortes.

Prisão: é "viver" na insegurança, em ambiente constrangedor, hipócrita e hostil, onde a traição está ao virar das costas; é vegetar, "viver" no aborrecimento, no isolamento, na solidão, na incerteza, na ansiedade, na atroz agonia, em estado de indefeso, no medo, no desespero, em stress permanente, em taquicardia; é o sentir de sensações que nunca antes se tinham sentido: ódio, raiva, impotência; é o sofrimento através da fome, da desnutrição silenciosa, da privação de relações com o sexo oposto e de mil e uma privações.

Prisão: armazenamento de carne humana; é estar submetido à incubação de germes, de viveiros de doenças infecto-contagiosas conducentes à exterminação; é a vida sujeita, com cálculo probabilístico, ao risco sobrelevado de contágio mortal; é ver e sentir o horror do fim de si mesmo acontecido muito antes da morte; é a morte lenta e dolorosa de seres condenados à absoluta ferocidade da indiferença e ostracismo; é perder o controlo das funções vitais do seu organismo, ficar com fobias, psicótico, neurótico, esquizofrénico, apático, depressivo; é o definhamento, a degradação, o apodrecimento do indivíduo emparedado em vida; é a constante indução ao suicídio.

Prisão: genocídio silencioso entre muros; o inferno dantesco.

Prisão: máquina infernal, demente, trituradora, de poder cego e homicida, centro de loucura, de tortura, de sofrimentos inúteis e gestão da morte.

"O sofrimento dos encerrados é uma mal absoluto, dado que é estéril. Existem sofrimentos que permitem um engrandecimento pessoal e que fazem com que uma pessoa fique melhor. Mas todos os observadores estão de acordo em afirmar que não resulta absolutamente criador o facto de isolar grupos de homens para obrigá-los juntos a vegetar artificialmente, num universo infantilizante e alienante que os desumaniza e os dessocializa. Este sofrimento é um sem sentido, um absurdo", dizem os abolicionistas do sistema penal, Louk Hulsman e Jacqueline Berbat de Celis.

"Os muros das prisões não são tanto para evitar que o preso fuja, mas sim para esconder todo o vexame e massacre que se encontram por detrás deles".

"As alternativas à prisão devem ser forçosamente a não prisão".

"A prevenção é a justiça social e por isso a resposta não são as prisões mas sim uma verdadeira transformação social desde a raiz dos problemas".

PUNIÇÃO NÃO É SOLUÇÃO
À punição contrapomos justiça social e liberdade!
Queremos a abolição da prisão!
Prisão? Abolição!
AMNISTIA TOTAL!

Enquanto a abolição da prisão não se verificar, exigimos subsídio de risco, seguro de vida e indemnização para os nossos familiares por cada morte de um preso, além do cumprimento do direito à saúde, do direito à alimentação condigna, do direito à higiene, do direito a uma vida afectiva e sexual condigna, o fim da retenção e censura de correspondência, o direito à promoção pessoal mediante a "educação" permanente, o direito a condições de trabalho não escravizantes e muitos outros contemplados pela lei, todavia violados sistematicamente a começar pelo governo até aos esbirros.

Desde dentro, Abril de 1998, José Alberto

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